PARTO NORMAL OU CESÁRIA?

                 RELATO DO PARTO

O NASCIMENTO DA ELISA

eLISA

Não foi algo que tínhamos planejado a muito tempo. Na verdade foi uma resposta de Deus a uma súplica minha. E como Deus é perfeito, engravidamos da Elisa. Foi uma gestação tranquila, só precisava tomar cuidado com as quedas, e o procedimento cirúrgico pois, eu tenho sangue com o Rh negativo e o meu marido tem positivo, podendo gerar uma doença chamada Eritoblastose fetal e poderia causar o aborto. Fazia os exames de Coombs regularmente e tomei a medicação especifica em até 72 horas depois do parto.

Queria estar muito bem preparada fisicamente e psicologicamente, fazia hidroginástica e lia tudo sobre bebês. Então, eu precisava decidir se o parto seria normal ou cesariana. Eu não entendia muito bem os argumentos da Dr para a realização da cesária. Mas ela disse que como estava próximo do carnaval e havia o risco de não ter anestesista se fosse preciso, deveríamos marcar logo.

Confesso que tive medo do parto normal, mas eu queria fazer o que fosse melhor para a Elisa, não queria que ela ultrapassasse a hora de nascer e que eu fosse culpada por algo de ruim. Mas no fundo eu não sentia que era a hora de sua chegada!

Marcamos para o dia 14 de fevereiro de 2010. Um domingo, um dia depois do casamento de minha amiga Valéria. Fui para o hospital as 11:00, sem saber se já estava maduro, sem sentir dor, sem a bolsa ter rompido. Me deram a anestesia, não senti dor, somente uma leve picada, estava bem acordada para receber minha princesa. Eles colocaram a sonda em mim depois da anestesia. O parto foi tranquilo, senti que me chacoalhavam enquanto eu estava recebendo os mil cortes na barriga. Senti ela saindo de mim como um vazio imenso na barriga, exatamente as 14:20, segurei em meus braços com uma leve vontade de chorar,  ela nasceu bem, mas havia algo dentro de mim que não estava bem. Uma sensação de inutilidade, de não ter feito realmente meu papel de mãe. Indo pra sala de recuperação com muita tremedeira, parecia de frio, mas estava com uma coberta, não sabendo se seria só o efeito da anestesia ou o nervosismo. Foram 12 horas sem mexer a cabeça, imóvel em uma cama de hospital. Eu vi o seu primeiro banho, imóvel na cama sem poder eu mesma dar (quanta injustiça, porque não eu? porque não pude ter este gostinho?) Na primeira noite meu marido ficou comigo, ela acordou várias vezes e ele colocava ela para amamentar em  mim, na segunda noite minha mãe enrolou ela bem, ficou parecendo um pacotinho, deram um pouco do leite do banco do hospital no copinho, ai ela dormiu melhor, ainda ao meu lado. Para levantar da cama na primeira vez parecia que o mundo estava sendo balançado com toda força, eu não conseguia dar um passo, sensação horrível. Sai do hospital na segunda-feira com muita dor nos pontos, alergia dos remédios para tirar a dor e sem ter como cuidar eu mesma da minha pequena. Uma intimidade nossa que eu demorei para conhecer, e aquela forte sensação de não fazer sentido tudo aquilo. Já estava traumatizada de tossir ou espirrar, quarenta dias com dor, depressão pós parto não diagnosticada, um desespero para voltar a trabalhar logo.

Algum tempo depois, pesquisando sobre, descobri o parto humanizado, o que não havia ocorrido comigo. Comecei a entender porque eu fiquei tão confusa e porque nosso começo não fazia sentido pra mim. Eu e a Elisa não passamos pelo processo do parto que nos prepara com o coquetel do amor,  não respeitamos a natureza e as cesárias aumentam as chances da mulher entrar em depressão e dificulta o vínculo de mãe e filha, tivemos uma má amamentação. Dentro de mim estava claro que não queria isto para mim de novo. Na próxima vez iria deixar acontecer da forma correta.

O NASCIMENTO DA MANUELA

Manu

 

Não procurei outro obstetra, já tinha minha opinião formada e confiava na Doutora. Mas infelizmente ela teve que viajar no período que eu estava para ganhar a Manu e não conseguiu fazer meu parto. Ai a historia complicou um pouco. Eu tive uma forte anemia e um considerável aumento do líquido amniotico, por causas ainda desconhecidas, precisei fazer mais ultrassons que o necessário e mais exames também. As principais consequências de uma gravidez com líquido amniótico aumentado incluem:

  • Parto prematuro devido a ruptura prematura da bolsa de água;
  • Crescimento e desenvolvimento fetal excessivo;
  • Descolamento da placenta;
  • Parto por cesárea.

Não, parecia um pesadelo. Será que eu não conseguiria ter o meu sonhado parto normal? Ainda tinha a anemia que eu não conseguia controlar, mesmo com remédios e alimentação correta, podendo desenvolver no feto baixo peso, dificuldade de crescimento, partos prematuros e aborto. Implorava a Deus, rezava com todas as minhas forças. Depois de 37 semanas, minhas consultas médicas eram semanais

Foi em uma sexta feira, com 39 semanas de gestação, comecei a sentir as contrações logo depois do almoço, mas esperei os intervalos estarem menores, queria passar o mínimo de tempo no hospital. depois das 18 horas as contrações estava com intervalos de 5 minutos, ela estava chegando. E ela chegou no momento combinado por nos duas, em um dia lindo.

Chegando no hospital, parecia que eu estava contando alguma piada quando dizia que iria ser parto normal, ” mas você tem um plano bom de saúde, pode fazer cesária, é tão fraquinha,  pra que ficar sofrendo?”. Os comentários só me fortaleciam, não queria mudar de opinião. Fiquei em um quarto apartamento esperando dilatar mais pois, estava só com 2 cm. Tinha as pessoas que amo ao meu lado, meu marido, meu pai, minha mãe (que não quis esperar pra ver eu passar as dores e ficou com a Elisa em casa), minha sogra (que aguentou firme do meu lado depois do parto).  Tomava banho e fazia agachamento para acelerar a dilatação. Meu marido fazia massagens na lombar, isto aliviava muito, fiquei um tempo no chuveiro também, o que aliviou no começo, mas depois ficou muito quente e estava me incomodando, estava cansada, com sono, com fome. Foi tudo muito rápido e muito devagar… rsrs…na hora parece uma eternidade, mas depois, comparando com mulheres que as vezes demora dias, foi super rápido. As 24:10 fomos pra sala de parto, meu marido sempre me acompanhando, ele iria filmar como no primeiro parto. O Doutor teve que furar a bolsa, pois ela não rompia. Logo apos já estava com 7 cm dilatado. Fiquei de pé, na cama as dores eram horríveis, fazia agachamento com a ajuda do Marcelo massageando minha lombar. Cheguei até a pensar que eu estava louca, que tinha feito a coisa errada, o bicho tava pegando, mas o obstetra dizia que eu estava no caminho certo, então eu retomava as forças e voltava a realidade. Não tinha mais como ser de outro jeito, chorei muito (pedi pro meu marido para fazermos de outro jeito, não tinha como ser diferente). Dilatei mais 3 cm e então estava na hora, fui para o outro quarto deitei (era muito ruim deitar) e era só eu e Deus neste momento, gritei, chorei, quando as contrações chegava  sentia uma força fora do normal e pensava: ela esta chegando, Deus me ajude a ajudar ela. Cheguei a ficar muito fraca, e parecia que eu iria desmaiar. As enfermeiras e o Dr. sempre me incentivando, meu marido segurando minha mão, sentia as orações chegando até mim. Eu precisava ser forte, e fui, senti mais uma vez forças e juntei tudo o que me sobrava de forças e empurrei e ela veio ás 1:20 da madrugada. Emoção que não cabia no universo. Pensei comigo, as dores acabaram, agora estamos bem e eu não sentirei mais dor. Senti meu médico fazer o corte da episiotomia. Estava sentindo muito mais dor na hora dos pontos do que na hora exata do parto. Aquilo estava estranho. O Dr. disse que era assim mesmo e que logo eu não iria sentir mais nada. Segurei minha princesa nos braços, bem cansada já e ainda com muita dor. Ela Ela passou a noite no berçário e eu passei a noite inteira chorando de dor, minha sogra não sabia mais o que fazer. O Médico apareceu no sábado as 10:00 hrs para me consultar e viu que algo estava errado (o que eu já tinha notado). Voltei para a mesa de cirurgia, iriam abrir meus pontos da episiotomia. Acordei da anestesia que precisei tomar (raqui) e ainda não tinham acabado o procedimento. Escutava o Dr e o seu pai, que também é obstetra, conversando, na verdade o pai dando bronca no filho… ah? Como assim?? Não estava entendendo nada… e não entendi ate hoje. Só sei que algo de errado aconteceu e não foi correto o que o Dr fez. Me custou 1 semana sem sentar, mas mesmo assim foi menos que os quarenta dias sem tossir e espirrar.

O Dr me disse que  por estar com anemia o sangue não coagulava, o numero de plaquetas estava muito baixo e houve a hemorragia . A perda de sangue durante o parto pode variar de 500 ml no parto vaginal a 1.000 ml ou mais em casos de cesariana ou complicações do parto.  Acreditei nisto no momento, o mais importante pra mim era eu me recuperar e poder cuidar logo da Manu, e que bom que eu escolhi o parto normal. Poderia ter sido muito pior.

Só tinha o que agradecer, a Deus em primeiro lugar pela linda experiencia e pela graça de ser mãe de 2 lindas filhas e perfeitas, a Manu que foi uma guerreira lutando junto comigo por uma vida linda, ao meu marido que ficou ao meu lado em todos os momentos, a minha sogra que não dormiu de sexta para sábado rezando e cuidando de mim, aos meus pais que rezaram e cuidaram da minha Elisa nestes dias que eu não podia, a equipe do hospital, por mais que houve algum erro, quero acreditar que não, eles foram muito gentis comigo, aos amigos e familiares pelas visitas e compreensões de nosso frágil estado forte .

Minha relação com a Manu? Foi totalmente diferente, era um amor que eu já conhecia, um caminho já trilhado, os comentários externos não faziam sentido pra mim. Era eu e ela, ela e eu, amamentei melhor, parece que eu conseguia ler seus pensamentos com os olhos. Exatamente como eu gostaria que fosse e como deveria ser, obra de Deus!

Ai muitos me perguntam: qual parto você faria novamente? A resposta sem dúvida é : Normal . Não sou contra quem pensa ao contrário, acredito que precisamos fazer escolhas que nos deixem em paz com a gente mesmo. Algumas preferem a cesária, outras necessitam da cesária. Eu passei pelos dois processos e sem duvida o parto normal me fez uma mulher mais realizada, me colocou mais próxima de Deus.

O que precisamos é respeitar mais as mães, dar a oportunidade de escolha sem pressão psicológica, sem coagir as respostas. Precisamos de profissionais capazes, as mães precisam de apoio, não de condenação, de julgamentos, necessitam aprender sobre, aprender a conviver e muito amor!

Muito obrigado por ter lido até aqui, sei que ficou extenso, na verdade muitas emoções não descrevi.

Adoraria saber como foi sua experiência na hora do parto e qual parto vocês preferem. Nos envie clicando aqui .

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