PÁSCOA: VIDA NOVA

PENSANDO NA QUARESMA DA MINHA VIDA

Neste período da quaresma, o Santo Papa nos pede algo muito concreto, vai além das nossas orações, jejuns e penitências, precisamos agir! É o ano da misericórdia, da misericórdia de um Deus que é pai, amigo, companheiro, Ele nos entende, Ele esta sempre do nosso lado, nos levanta quando estamos no fundo do poço. Pense na pior situação que você já passou na vida e que alguém lhe estendeu a mão, disse palavras confortantes, fez algo por você, e isto fez toda a diferença…Isto é Deus!

A campanha da fraternidade deste ano com o tema: “Casa comum, nossa responsabilidade” nos faz repensar a nossa posição em relação ao cuidado com as coisas de Deus. Mas antes de nos aprofundar neste assunto, vamos recordar o significado da Páscoa…

A Páscoa significa passagem de um tempo de trevas para outro de luzes. Foi a libertação do povo de Deus do Egito, da escravidão. Eles festejavam no fim do inverno e inicio da primavera. Antes de ser sacrificado na cruz, Jesus também celebrou a Páscoa com seus discípulos:

Lucas 22-15

“E, chegada a hora, pôs-se a mesa, e com Ele os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa antes que padeça”

 Cristo deixou claro que o cordeiro pascal simbolizava ele mesmo. De fato, João Batista já havia proclamado publicamente sobre Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (João 1.29).A Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus Cristo, que de acordo com a Bíblia ocorreu três dias após a Sua crucificação. É comum em todas as Igrejas cristãs, o domingo ser um dia destinado à comemoração da ressurreição de Cristo, realizada pela Eucaristia, contudo, o Domingo de Páscoa é diferenciado dos outros, neste é celebrado o aniversário da ressurreição de Cristo, a festa da vida.

Essa festa faz referência à última Ceia de Jesus com os discípulos, Sua prisão, julgamento, condenação, crucificação e ressurreição. A celebração inicia-se no Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa, período compreendido como Semana Santa. É uma das festas mais antigas existentes, e a principal festa do ano litúrgico cristão.

A Quaresma é a preparação para a páscoa. Começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, anterior ao Domingo de Páscoa. Durante os quarenta dias que precedem a Semana Santa e a Páscoa, os cristãos dedicam-se à reflexão, a conversão espiritual e se recolhem em oração e penitência para lembrar os 40 dias passados por Jesus no deserto e os sofrimentos que ele suportou na cruz. (Na Bíblia, o número quarenta é bastante frequente, para representar períodos de 40 dias ou quarenta anos, que antecedem ou marcaram fatos importantes: 40 dias de dilúvio, quarenta dias de Moisés no Monte Sinai, 40 dias de Jesus no deserto, 40 anos de peregrinação do povo de Israel, no deserto etc.)

Agora que já recordamos os significados bíblicos, vamos voltar a Quaresma, ao ato de nos preparar.

O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo de Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. Ele sempre terá misericórdia de nós, independente das nossas ações.

A questão aqui é: eu consigo ou me esforço para também ser misericordioso? Para refletir…

Nas palavras do Santo Papa Francisco:

 Nos recorda que a nossa fé se traduz em atos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que o povo cristão reflita, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. Realmente, no pobre, a carne de Cristo  torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga… a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nó. É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias; e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.

O medo, o comodismo nos faz refém de uma vida vazia, de um cristianismo falso. Vamos a igreja, as celebrações, reuniões, nos dedicamos a estar dentro de um  grupo, fazendo parte em dias de partilha… mas quando precisamos nos doar para algo que não diz respeito a nossa rotina, quando precisamos estender a mão para alguém que não gostamos ou não conhecemos, a nossa resposta, na maioria das vezes é não! Afinal nossa vida já está tão cheia de afazeres, não é mesmo? Quando estamos em um circulo de amigos/conhecidos ou nas redes sociais e o assunto do diálogo não é agradável aos olhos de Deus, temos medo de expressar nossa opinião de ser tachado como o “chato da roda”, nos silenciamos ou concordamos com a maioria.

Abafamos os nossos sonhos e a nossa missão aqui na Terra para se dedicar a um trabalho que nos remunere muito bem, independente dos males que será necessário cumprir em nossas profissões.

Não tomamos lado na política do nosso país, acreditamos em tudo o que vemos sem tentar entender, questionar ou  exigir nossos devidos direitos.

Julgamos uma pessoa pela aparência e, a partir deste ponto a descartamos das nossas vidas sem conhece-la melhor… alguns fazem um esforço, outros não!

Usamos de forma indevida a natureza quando: deixamos a torneira ligada sem necessidade, (não é só porque estou pagando e tenho condições que não preciso economizar água!), quando jogo fora alimentos e não reaproveito (gerando economia), quando não reciclo o meu lixo, ou pior ainda, quando jogo lixo na rua.

Sou um falso cristão quando coloco a responsabilidade de educar meus filhos em cima da igreja, escola,  sociedade ou no parceiro, quando não reconheço que estou sendo mal exemplo dentro de casa, e não ligo a mínima para as consequências que virão quando nossos filhos crescerem. Quando acredito que posso viver uma vida de solteiro e esquecer que tenho família, quando não dedico meu tempo e esforços para ensinar os filhos.

Deixamos de ser cristãos quando não espalhamos a palavra de Deus, quando não falamos Dele dentro de nossos trabalhos, com amigos ou na família por medo do que vão pensar ao meu respeito. Atualmente estão todos conectados da internet, fica muito fácil chegar mais longe, e muitas vezes os assuntos são outros.

É muito difícil seguir os ensinamentos de Jesus, e saber quando estamos agindo corretamente, por isso precisamos buscar sempre a santidade, mas não significa que devemos viver engessados presos em igrejas… assim como diz o João Paulo II na Carta aos Jovens:

Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.
Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se “lascam” na faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade. 
Precisamos de Santos modernos, Santos do século XXI com uma espiritualidade inserida em nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças socias.
Precisamos de Santos que vivam no mundo se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem discman.
Precisamos de Santos que amem a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refri ou comer pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.
Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo mas que não sejam mundanos”.

Com o auxilio do grupo São Tomé (que participo), fizemos uma Carta aos Casais:

Precisamos de Santos sem véu, batina ou cargos na igreja.

Precisamos de Santos de tênis, sapato e salto alto.

Precisamos de Santos que não sejam imparciais ao sofrimento do próximo, mesmo com pouco a partilhar.

Precisamos de Santos que cuidem da casa, trabalho, crianças mas não se esqueçam de rezar.

Precisamos de Santos que se amem, que pratiquem atividades físicas, vão as academias, cuidem da saúde do corpo e da mente, mas não deixam de partilhar uma refeição em família.

Precisamos de Santos que vão aos churrascos, confraternizações do trabalho, festas, mas saibam ser moderados em seus atos.

Precisamos de Santos que amem a Eucaristia, mas não tenham vergonha de tomar uma cerveja (com moderação) com os amigos e ir de carona para casa.

Precisamos de Santos que vivam no mundo se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.

Precisamos de Santos conectados, on line para as coisas boas, anunciador da palavra, mas que assistam filmes, seriados, programas e tenham opnião.

Precisamos de Santos que ouçam todos os tipos de musicas, mas que ensinem aos seus filhos o que é correto.

Precisamos de Santos sociáveis, compreensíveis, abertos, normais, bons maridos/esposas, namorados amigos, alegres, companheiros, dedicado, que doam seu tempo.

Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo mas que não sejam mundanos”.

 

Sabemos que é impossível sermos perfeitos, e que erramos o tempo todo, mas acredito que o que vale é a nossa busca em sempre sermos melhores do que ontem!

Momento de reflexão

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