Como fica nosso relacionamento com Deus depois dos filhos?

orando

Depois que temos filhos entendemos o porque todos dizem que tudo na vida da gente muda… E como muda! Além do casamento mudar, da relação com o parceiro ficar diferente, dos programas de final de semana serem mais caseiros, dos lugares que frequentávamos saírem da lista, (escolho qual restaurante ir dependendo do espaço que tem para crianças), da relação com os pais da gente ficar diferente…Nossa, é tanta coisa que da pra escrever um livro sobre, hahaha…

Uma coisa que me incomodava a um tempo atras era o meu aproveitamento nas reuniões, na igreja, em algum lugar que eu precisava levar elas e rezar ao mesmo tempo. Ficava imaginando se estava pecando por não estar prestando atenção no que estava acontecendo. E sei que não acontece só comigo. Sou muito detalhista e não consigo fazer meu cérebro conciliar um choro com uma homilia. Quando preciso estudar, por exemplo, preciso de um ambiente silencioso. Mas já evolui bastante, consigo ler um livro e entender a historia mesmo na sala com as meninas assistindo TV ( afinal, preciso mostrar meu prazer pela leitura e deixar elas escolherem o que fazer).

Hoje não são mais os choros que atrapalham. Por varias vezes precisei responder a perguntas que surgiam, principalmente na hora da homilia, da consagração e na hora da comunhão. Algumas são dúvidas novas, outras já respondidas…enfim, no momento que preciso de concentração, de meditação, fico respondendo a questionários.

Penso que, se estão interessadas no que está acontecendo é porque estão prestando atenção. Entendo que pra mim é obvio de mais tudo aquilo, mas pra elas é algo novo, são rituais que se repetem e elas não entendem ainda qual a lógica. As duvidas são, na maioria das vezes por parte da Elisa, a Manuela ainda pergunta sobre o termino da missa: -Mãe, tacabanu? rsrs

Explico, respondo ao que me perguntam e peço para observar o que vai acontecer. Tento ser a mais discreta possível e mostrar pra elas que pra tudo tem a hora certa, que quando entramos na igreja ou grupo de oração precisamos de silencio para escutar o que Deus tem a nos dizer. Na maioria das vezes conversamos antes de sair de casa, ou no carro, vou explicando que é muito importante que elas colaborem, que elas precisam ir ao banheiro em casa e beber ou comer antes de sair. A Manu da um pouco mais de trabalho, na maioria das vezes reclama que precisa ir ao banheiro e beber água, o que tento levar na bolsa. Afinal, elas tem necessidades diferentes dos adultos, e precisam da nossa compreensão. Não gosto da ideia de ficar brigando com elas dentro do local de oração, quero que elas se sintam bem e que desejem voltar e não fiquem traumatizadas. Mas também não gosto que fiquem correndo e falando alto. Infelizmente não são todos que pensam assim e tem muitos que ficam olhando para trás, com cara feia pra gente. Isto não deveria ter importância, mas é algo que me incomoda. Por isso escolho ir nos horários em que tem mais crianças na igreja. No nosso grupo de oração 6 dos 7 casais tem filhos, fica muito mais fácil ser compreendido.

Uma vez escutei uma pregação do Pe Leo que dizia mais ou menos assim: “Não são as crianças que devem parar de conversar e prestar atenção, e entender o que esta acontecendo dentro da Igreja. Elas são anjos, e o céu delas já esta ganho!” Fez todo o sentido pra mim.

Marcos 10,13-16:

“Traziam-lhes crianças para que as tocasse, mas os discípulos as repreendiam. Vendo isso, Jesus ficou indignado e disse: “Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. Então, abraçando-as, abençoou-as, impondo as mãos sobre elas.”

Isto não significa que elas não precisam ir. Somos uma família que faz tudo junto, se um vai todos vão. Além de estarmos incluindo o habito de participar da igreja, do grupo de oração, porque precisamos viver em comunidade, porque precisamos mostrar pra elas qual o caminho, precisamos ser exemplo. Um dia elas vão começar a entender o porque. Um dia a Manu não vai mais querer ir no banheiro e a Elisa não vai buscar as respostas no exato momento de reflexão. Acredito que um dia, o que estamos plantando hoje, vão se tornar lindos frutos!

Provérbios 22,6:

“Ensina a criança o caminho que deve andar e ainda quando for velho, não se desviará dele”

Então quer dizer que, enquanto eu tiver filhos pequenos eu não conseguirei me conectar com Deus?

E a resposta é lógica: Sim, você conseguira! Eu não preciso me desconectar, muito pelo contrario.

Quando eu descobri que seria mãe algo dentro de mim começava a mudar devagar. Carregar uma vida dentro da minha barriga já fazia minhas orações pessoais com Deus ficarem muito mais fortes. Pensar que todo cuidado que deveria ter comigo tinha que ser melhorado, alimentação, sono, leituras, etc… Me tirou do centro da minha atenção.

Quando a Isa nasceu e experimentei um amor sem limites, um amor capaz de tudo! Eu deixaria de comer pra ela comer, eu deixaria de beber por ela, eu ficaria sem roupas para protege-la. Eu morreria por ela… No começo foi muito confuso pra mim. Sentia dores, sono, fome, vontade de sair correndo,  mas eu só queria esta ali. Quando a Manu nasceu eu pude entender o que é amar mais de um filho de uma forma diferente, amando as diferenças sem exceções, entendi que este amor multiplica e que eu não precisava dividir nada. (tema para um livro também!haha)

Sinto que este amor de pai/mãe pra um filho tem muito do amor que Deus tem por nós. Quer conexão mais forte que esta? Quando oramos, principalmente por eles, ou para outro assunto em nossas vidas, nossas orações de pais são mais intensas. Já sentiram isto?

Vejo como uma oração todo cuidado que tenho com meu lar, com minhas filhas, com meu esposo. Cada vez que preparo uma refeição com carinho, cada vez que arrumo uma mesa para as pessoas que mais amo, cada vez que lavo, guardo suas roupas com todo capricho, cada vez que arrumo elas pra sair, faço penteados, coloco laços, passo perfume, quando faço sobremesas para comermos juntinhos, quando fico noites acordadas cuidando delas, quando escolho sonhar os sonhos delas, do meu esposo  é uma forma de orar e de me conectar com Deus.

Mas sinto que preciso estar sozinha com Ele também, assim como Moisés e muitos outros que se afastavam das pessoas para conversar com Deus. Sinto que me conecto com Ele de noite, quando todos já dormiram, ou antes de todos aqui se levantar. Faço minhas orações e espero, leio a Bíblia e de lá eu escuto o que Deus quer de mim. Demorei muito tempo para entender… é necessário o habito da oração sozinha, estudar mais a palavra, ouvir o que os sábios dizem sobre as escrituras (eu gosto de ouvir o programa: Direção Espiritual com o Pe Fabio de Melo, tem me despertado para muitas passagens bíblicas)

Assim, quando vou a missa não me sinto pela metade. E quando me esqueço disto, é só bater um papo Divino aqui na madrugada e tudo vai se encaixando, tudo vai fazendo mais sentido.

Sei que é uma fase, acredito que sentirei falta de ter elas no colo dentro da igreja, de dar as mãos, de explicar sobre as coisas. O que não posso é perder o controle, a paciência, ficar fazendo o que acham que eu preciso fazer e não  o que eu acredito ser o certo para minha familia, preciso continuar nesta caminhada com leveza.

Porem, podemos usar alguns recursos para deixar nossos filhos mais tranquilos enquanto estamos no local de oração:

  • Alimentar bem antes de sair de casa (comidas que não soltem o intestino);
  • Levar ao banheiro antes de sair de casa;
  • Explicar para onde irão e o que vai acontecer no local;
  • Dependendo da idade, não levar com sono (para bebes que dormem em qualquer lugar é até bom);
  • Levar água, suco ou algum alimento se acaso for demorar muito;
  • Escolher lugares em que as crianças se sintam bem acolhidas, que possam interagir, participar;
  • Rezar com as crianças em casa faz elas se acostumarem com os momentos de oração;
  • Muitos podem criticar ou julgar errado, mas levar um objeto, um brinquedo pode ajudar muito a manter a calma. Claro que tudo com limites! Eu inventei aqui a bolsinha surpresa em uma das novenas que eu fiz sem o meu marido e precisei levar as duas. Cada dia colocava algo diferente, sempre com uma bíblia infantil em cada bolsinha e um terço, alguns lápis de cor e desenhos de princesas ou bíblicos para elas colorirem, foi uma benção! Elas ficavam super ansiosas para irem para a novena e abrirem a bolsinha, e eu consegui prestar mais atenção no que estava acontecendo.

E você? Pai e mãe, o que tem feito para se conectar mais com Deus em meio aos afazeres do dia e as interrupções na igreja?

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