Resenha: Quem me roubou de mim?-Padre Fábio de Melo

Sou suspeita a falar bem deste livro, sou fã da maneira que este Padre fala de Deus de uma forma tão leve e despretensiosa. Tem muita sabedoria,  não poupa palavras bonitas e difíceis no seu livro. O começo é um pouco complicado, mas depois flui.

É um livro que nos leva a refletir nossas relações e a maneira que vivemos. Cita vários exemplos de como podemos sequestrar e ser sequestrados subjetivamente, vou comentar os que mais me impressionou. São 213 paginas, em menos de um mês eu consegui finalizar (mesmo com minha rotina de mãe e empreendedora). Suas folhas são amarelas, melhor assim pra ler, e este é a 12ª reimpressão.

Não há nenhuma forma apelativa para o catolicismo, já que é um Padre que escreve, é um livro para todas as religiões. O contexto aqui é outro.

Vamos ao livro… sequestro da subjetividade nas palavras do próprio autor:” um vinculo que mina nossa capacidade de ser quem somos, de pensar por nós mesmos, de exercer nossa autonomia, de tomar decisões e exercer nossa liberdade de escolha. Roubar nossa subjetividade é tirar o direito de administrar a própria vida”.

Mas não é de todo ruim este roubo, existe o lado bom. Quando alguém nos retira de uma vida que não é saudável, quando nos rouba do nosso egoísmo, por exemplo. Na verdade nos devolve para ser quem precisamos ser.

Acredito ter passado por este sequestro quando minhas filhas nasceram ( a maioria dos pais passam por isso). Deixei de ser quem eu era, melhorei muito como pessoa. Tenho uma visão e opiniões bem diferentes da minha vida anterior. Me levou tanto de quem eu era que até hoje sinto que estou me refazendo, sinto que não me encontrei por inteiro.

Por outro lado, os relacionamentos DIABÓLICOS, que pode ser entre irmãos, amigos, patrão – empregado, pais – filhos, marido –  mulher, etc… nos roubam uma vida. Nos leva a pensar que se não fizermos o que os outros esperam de nós não seremos amados.

DOS EXEMPLOS

Um dos exemplos é do FILHO PRODIGO, na bíblia, a história de um jovem que foi roubado de sua essência, pegou suas herança e foi se deliciar com os prazeres do mundo. Quantos jovens de hoje em dia estão entregues as drogas, álcool e prostituição sem forças para se libertar desse cárcere? MUITOS.

Outro exemplo é de uma senhora que conheceu. Queria ser médica mas o pai desejava que fosse advogada. Estudou direito, nunca trabalhou na área, casou-se e limitou- se as atividades domésticas, desistiu do seu sonho.

 

“NUNCA MAIS EXPERIMENTOU A INTEIREZA DE SER, POIS LHE FOI NEGADO O DIREITO DE DESENVOLVER SUAS APTIDÕES”

Quando um pai falta com a autoridade para o filho também existe uma violência ali: “Cada vez que uma criança ou um adolescente é exposto ao direito de decidir o que ele ainda não está preparado para decidir, um ato de violência é cometido. Eles não podem ser expostos a situações da qual não estão preparados” (Padre Fabio).

Este outro exemplo me fez chorar. Ultimamente tem se falado muito sobre violência doméstica nas mídias, TV, eu conheço alguns casos parecidos…

Ele fala sobre uma mulher bem-sucedida, bancária, mãe de 3 filhos já cursando faculdade. Ainda morava com seu marido empresario. Casou muito nova, logo após os atos de violência começaram. Primeiro os gritos, depois empurrões ( “o sequestrado não poderá seduzir sua vitima pela força da violência, ao contrário, no início será dócil, gentil e usará de todas as artimanhas para que a sedução seja bem-sucedida”-Pe Fabio) até chegar ao absurdo de surras que a deixavam marcas muito feias. Foram 34 anos vivendo assim.  Porque não se separava? Segundo ela, por não saber o que fazer depois.

Este livro nos leva a acender as luzes internas e rever nossos relacionamentos, com  varias formas de nos avaliar, com varias perguntas:  quais são os que nos modificam para melhor? quais só deixaram lembranças negativas?…

Vamos ler? Super recomendo!